segunda-feira, 14 de maio de 2012

Felicidade

Faz tempo que ando ouvindo elogios sobre a minha felicidade. Alguns outros sobre agilidade e eficiência, mas em primeiro lugar sempre, felicidade. Se estou sempre feliz? Sim. Até nos dias mais tristes continuo feliz. E minha felicidade é estampada em um olhar pequeno e um sorriso que invade o rosto, sempre. Sempre mesmo, e a felicidade começa cedinho, antes das 10 da manhã, e perdura até às 22h, enquanto eu ainda estou longe de casa. Em casa ele aumenta, seja no café, almoço ou janta, com pastel de 4 sabores que não aguento comer por inteiro. "Continue assim, sempre feliz. Sempre levando felicidade pra quem te encontra", disse um Senhor com mais de 80 anos que segurou minha mão depois de eu tirar uma foto dele sentado. "continue sempre feliz, assim". Não era o dia mais feliz do mundo, eu garanto. Ultimamente não tem sobrado tempo pra escrever do que gosto, de contar histórias de alívio para a alma. Tem sido dias de saudade intensa, de pessoas que queria perto mas não posso mais ter. Mas continuo feliz. Feliz porque meu coração exala sorriso, um completo e verdadeiro sorriso doce. E não importa o que aconteça, se saiam mais pessoas importantes da minha vida de perto, se todos os amores que tenho se vão no piscar de olhos. Já não me importo mais em ser triste, porque triste nunca serei. Continuarei sempre feliz, assim. Como me ensinou aquele sábio homem, que fez fortuna e se encantou porque eu simplesmente sorri. Sorri doce, sorri como sorrio todos os dias. Há alguns dias descobri que eu tenho vários motivos pra reclamar. Meus melhores amigos da vida estão longe, talvez eu nunca mais os encontre por perto, minha profissão pode ser que eu tenha errado, meus sonhos podem estar sumindo e eu estou vendo eles desaparecerem de pertinho, bem de pertinho. E ao invés de chorar, eu sorri. Sorri porque meu sorriso, apesar de não ser completo, foi o que a vida mais me ensinou a fazer. Sorrir. Ter felicidade pelo simples fato de ser eu, a pessoa que espanta tudo com o sorriso. Se tudo se reinventar Se tudo virar redundância se tudo precisar da reinvenção se a vida me der todos os Res deste mundo Continuarei feliz, porque re-felicito a vida todos os dias. Ganhei o nome do "Re", e tudo o que me entristecer, faço questão de re-adaptar, ou renatear, como queira chamar. e se estou sempre feliz? Sim, por fora estou sempre feliz, e quando não estou, retrato o sorriso de quando fui.

sexta-feira, 23 de março de 2012


às vezes sou reclamona, chorona, me descabelo e vomito dias por causa de uma coisa mínima, pra quando as coisas grandes chegarem eu aguentar de pé, olhando com olhos de quem já vivenciou aquilo outras vezes e sabe (quase sempre)o que esperar dali pra diante.

Estou aprendendo a (não) conviver mais com a melhor amiga que tive. Talvez outras grandes amigas até se sentiriam distantes desse comentário, mas é que aquela coisa de 'química' de vez em quando arrebata a nossa vida. É estranho, e estranho mesmo porque a ficha só cai poucas vezes no dia, e quando cai devasta o coração. Já vi outras grandes amigas cobertas de flores também, nos vestidos bonitos e de olhos fechados. Chorei com todas as notícias, mas dessa vez, o choro foi (é) outro. Eu fui pra ver com meus olhos que a verdade estava ali, diante deles, mas nem assim deixei o choro sair da alma. Deixei só o choro de companhia sair. O de alma vem saindo aos poucos, na falta do dia a dia, nas fotos, e-mails trocados, msgs de celular, na cerveja gelada, nos traumas, nos medos, nas inseguranças e nas alegrias. Nossa sintonia foi tão engraçada que até o aniversário por perto, pra festança poder durar 5 dias, é coisa de destino. E os mesmos gostos, os mesmos interesses, as mesmas satisfações.

Ao encontrar a amizade, acabei me afastando de tudo mais, porque ninguém mais satisfazia o que ela completava sempre, sempre! Acho que isso era visível e talvez nem fosse tão recíproco, mas era, de fato, algo único. A vontade que tive - e tenho ainda -, nessas horas em que a alma chora, é escrever, escrever e escrever, como se isso pudesse sanar o nó na garganta e o aperto no peito. Às vezes acho que está aqui atrás, vendo tudo que digito e secando todas as lágrimas que escorrem, com aquele jeito de dizer: 'PARA DE SER BOBA, MENINA'.

Me conforta em saber que Deus deve ter feito um banquete pra te receber e que de lá, você não tem mais dor. Mas aí me pergunto se era isso que você queria, porque pra mim você contava planos de vida, alguns que se realizavam, alguns mais difíceis. E aí paro e penso que você ainda tinha a vida inteira do nosso lado, transmitindo toda alegria e coragem do mundo pro resto das pessoas. E aí penso que ainda tinha muito o que me ensinar, porque não, ainda não parei de ser boba. Ainda sorrio de tudo, com tudo, pra tudo. São nessas horas, de solidão, que me pego pensando no que conversaríamos agora, do que brigaríamos, com quem planejaríamos.

Deus tirou você da minha vida com o propósito de vida cumprido, tenho certeza. Não só a sua vida, mas a minha também. Você me apresentou pessoas inesquecíveis, me fez conhecer lugares de forma diferente e riu, riu todas as vezes que chorei. Você não me deixou sozinha, me fez ver que a vida é muito mais que a solidão das páginas vazias e que, desabafar no papel pode ser compartilhado, SEMPRE! Nossos bilhetes, mensagens, cartas e conversas intermináveis não vão mais existir, e agora vou ter que (re) aprender a ser quem você ensinou que eu fosse.

Vai com Deus, Suellen Gonçalves Vieira (10/11/1988 a 14/03/2012)

domingo, 23 de outubro de 2011

Palavra

Ando escrevendo tanto e tão pouco ao mesmo tempo. E minha paixão, que são as palavras no papel em branco, únicos desabafos de dias e noites, me consolam nas suas releituras. Hoje reli lembranças, e como foi bom re-sonhar tudo. Ninguém me rouba as palavras, ninguém, nunca, consegue me fazer parar de sonhar em páginas em branco. Ninguém sabe mais do que eu, como escrever é terapia, romance, loucura e paixão. Relaxante, porque não.

Hoje lembranças enxeram minha alma de cor, e sabe o que mais, me fizeram lembrar como eu era melhor quando não fazia planos, nem sonhos, nem vidas. Quando eu apenas escrevia, sentada na cama, olhando o pôr do sol, como hoje. Passarão anos e anos, e eu quero continuar aqui, ou acolá, olhando da janela, embaixo da cama, reescrevendo a imaginação criativa em forma de letras e mais letras, até elas esgotarem tudo o que tenho dentro d'alma.

Passarão todos os dias desta vida e eu continuarei com essa paixão. Tirem-me a vida, os sonhos, a coragem, mas nunca, nunca tirem de mim, minhas palavras.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um dia cinza e verde

É oposto pensar em cinza e em verde. Geralmente o cinza representa algo ruim, escuro, sombrio. Já o verde, no auge de sua imponência, destoa de todos os outros nublados e se ergue em cor, cor de esperança, de renascimento.

Hoje é cinza e verde. A cortina é cinza, a parede verde.
O carro é cinza es-verdeado.
do alto do morro, as nuvens são cinzas, as casas verdes.
no topo das árvores, cinza, no seu entorno, verde.
A grama é verde, a pedra ao lado é cinza.
o sangue é verde, o teclado é cinza.

Não há amarelo do sol que mude esse tom cinza/verde.
Não há raio de luz que mude esse tom cinza/verde.
Não há sorriso amarelo que mude a áurea cinza/verde.

cinza, verde, verde, cinza, cinza, cinza, verde, cinza, verde, verde, verde.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

janelas

Tudo o que eu queria era uma janela, dessas que dá para ver o alto do céu e a fuga das estrelas pela noite. Eu sempre quis uma janela em cima da cama, de onde, deitada, eu pudesse contar cometas, estrelas cadentes e alguns sonhos também. Tudo que eu queria nessa janela, é que ela ficasse ali eternamente, sob a minha cabeça, debruçada em alguns papeis, juntando madeiras e construindo viagens. E enquanto não chover, a esperança da chegada da nova janela se completa em cada raio de sol, vindos com um vento de inverno que gela a mão, a alma e de vez ou outra o coração.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

saudade de lá


Tenho saudade de acordar todos os dias em horários diferentes, conforme a aula mandasse. De olhar para fora, tomar meu nescau e colocar o caderno na boolsa. Conversar todo o trajeto que variou sempre entre duas e três quadras até o prédio cinza, que no finzinho se tornou amarelo. Tenho saudade de olhar as pessoas chegarem atrasadas, com rosto de sono, ressaca e mau-humor. Saudade de dizer vários ois pelo caminho, entre bom dia à professores, até os papos furados com os funcionários. Ah, e os intervalos sentada nos bancos duros e desconfortáveis..Muitas vezes nas escadas ao lado do quiosque, outras, em pé, esperando qualquer um pra agarrar o pescoço e pedir um abraço a um dos muitos amigos que apesar de não serem da vida inteira, queria levar comigo para sempre. E ainda berrar na sala de aula até o professor me dar razão, ou parar de discutir com a teimosia que me governa. Ouvir reclamações, risaadas, travessuras, malandragens. Ver aqueles sorrisos que eu nunca quis que fossem embora. Sentar nas carteiras acumuladas para uma turma tão pequena e rir, rir de tudo que acontecia naqueles quatro cantos. Ir pra casa, fazer o almoço rápido, tirar um cochilo de cinco minutos, e ir trabalhar, com cheiro de feijão recém-feito, bife frito e suco de pacotinho. Queria chegar no estágio, sentar na escada, rir besteirolas, correr atrás de qualquer coisa, estudar, escrever, gravar, editar, conversar. Queria que fosse quarta-feira, e fosse dia do cento do salgado, pra ficar das cinco até umas sete comendo sem parar, até o último salgadinho sumir do pote. Ir pra casa, deitar no sofá branco, assistir a qualquer programa, tomar um nescau. Ver que já é tarde, deitar na cama que fica dentro do quarto onde tudo é uma bagunça, inclusive minha cabeça, chamar a companheira pra ir lá, ouvir música, fofocar sobre o dia, contar medos, angústias, ligar para as amigas, formar uma trupe, resolver que toda quinta é dia de meninas, tomar cerveja, confessar malandragens, fofocar. Queria esprar o sábado e o domingo chegarem, pra reunir todo mundo e fazer aqueles almoços que só tinhamos em casa, na verdadeira casa, não nesse paraíso. Saudade dos sábados a tarde, onde pipoca e brigadeiro, ou, pao de queijo e chocolate invadiam a casa, transformavam o buraco no lugar mais aconchegante de todos. Queria o domingo e o dia de dormir, com visitas especiais, ou com saudades de fazer chorar. Lembrei de quando tranquei, pela última vez o apartamento quatro, do bloco 01, do condominio Ouro Branco. Lembrei do apartamento 301, do edificio Mônaco. Lembrei do Pensionato Universitário Feminino, e dentro de cada um, minhas histórias e lembranças. Há um ano, mais ou menos isso, eu fechava pela última vez minha casa guarapuavana, e hoje, queria que toda aquela história voltasse, talvez por lá, e por estar com tais pessoas, minha vida tivesse outro sentido, e que era tão bom, que ah, nunca queria ter fechado.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

como temporal

Há algumas semanas começaram as chuvas na cidade mais alemã do país. Chuvas que nunca tinha visto aqui ou acolá. O céu fica negro, meio acinzentado, e as nuvens correm como maratonistas. É impressionante a rapidez que um temporal se forma por aqui, e mais impressionante ainda, é como ele é belo e ao mesmo tempo tão ameaçador. Aos poucos escurece, a chuva começa devagar, e em segundos, pronto, estaá feita a tragédia. Água em meio metro, casas alagadas, ruas sem passagem. Minha primeira cobertura de enchentes foi uma experiência única, pra levar pra vida inteira. O desespero, os rostos tristes, a solidariedade e depois, o sorriso amarelo de quem tenta continuar, e continuar, e continuar.
Excepcionalmente hoje, o dia amanheceu cinza, como meu coração. Quando o dia começa assim, certamente termina com um temporal, dentro e fora do quarto bagunçado, cheio de quitutes e algumas malas para desfazer. Na sacada, é gostoso ouvir o barulho da chuva, lendo algum título que me faz pensar na vida, na morte, no sentido de tudo. Na sacada, que dá para os fundos de um terreno que nao tem quase nada, a não ser o cheiro de churrasco e o barulho de piscina aos domingos, eu gosto de sentar e ver o temporal atingir o telhado da garagem. Os raios, a trovoada, o vento gelado que arrepia a alma. gosto de molhar o pé, de esticar a mão e deixar que a chuva molhe um pouco meu corpo.
Queria entender porque gosto tanto assim de chuvas, aqui já comprovei que ela não traz tanta alegria como me convém. Queria entender porque mandam essa chuva quando quero lavar minha alma, e como enquanto ela cai, meu coração se enche de uma paz tamanha, que tenho vontade apenas de olhar para o horizonte e sentir seu barulho devagar e devagarinho ver ela escorrer por onde passa. Queria que ela passasse pelo meu peito, deslizasse por minha alma e revigorasse meus sonhos. E não só meus, mas de todos que estão do lado de fora, temendo que a chuva leve mais que os sonhos, amedrontados com razão, porque a chuva não me da mais tanta alegria, já penso nela com medo, pavor. Ah chuva, signifique o que significar, caia lentamente, escorra pelas paredes e não adentre casas e ruas. Caia aos poucos e só molhe de paz a minha, e a alma de todos os outros que por cá estão.
'oh chuva, eu peço que caia devagar, só molhe esse corpo de alegria, para nunca mais chorar"

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Direto do céu

Papai noel sempre me reserva boas surpresas. Quase sempre faz com que todos os meus desejos sejam realizados, e os que não são, normalmente são substituidos por um melhor, ou pelo menos que encaixa no momento. Papai noel é um bom velhhinho, que acredito morar no céu, junto com nuvens de algodão e a lua, que deve ter um sabor doce de dar água na boca. Esse velhim, cheio de marra e de coincidências apronta muito comigo, mas me da tanta sorte durante os anos que me traz, que ao invés de pedir benefícios de ano novo a um Deus supremo, peço ainda ao Papai Noel, e que belo Noel arranjei.
De todos os meus pedidos para 2010, faltava só um para completar a lista. Sem querer, abri-a em um dia em que a chuva batia forte, e a saudade no peito ainda mais. De repente, quando achei o papelzin escondido na carteira, o tal pedido número um fez palpitar o coração e confundir a decisão: é ou não é!?
Papai Noel então viu minha preocupação e talvez tenha soprado no ouvido do pedido a ideia. Me entreguei de coração ao pedido, e cá estou, vivendo em um conto tirado do céu, escrito nas estrelas e que me faz sorrir diariamente.
Talvez, se o pedido número um não tivesse escutado Papai Noel as coisas estivessem bem diferente. Ou não. Ou não mesmo, porque tem coisas que nada muda, nem Noel. Só que minha lista completa ficou tão gostosa de ver que hoje, ao relembrar os pedidos de váários anos atrás, fiquei tão completa que não sei se consigo fazer 7 pedidos ao velhim mais delicioso, nesse ano novo.
Ainda não é Natal, mas as cidades já estão cheias de velhinhos simpáticos e sorridentes (alguns nem tanto), e esse espírito natalino me motiva a rir sem parar, apesar de tantos outros motivos para chorar.
Ah Noel, se tu soubesses quanto me fizesse feliz depois desta lista completa. Ah Noel, você é um grande cara. E eu tenho saudades do tempo em que era criança, que podia acreditar em você, te abraçar e ainda conversar pela madrugada a fora. Ah Noel, que falta sinto de acreditar em você.
E que ai do céu, você ainda realize todos os meus sonhos e alguns mais.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em busca da felicidade.

O quanto vale a busca para ser feliz? E o mais fundo que isso, o que é, realmente, ser feliz.
Acabo de ouvir uma história com uma lágrima de canto de olho. Sentada na rodoviária, ao som de uma novela qualquer e um ar condicionado que me faz ter frio em pleno verão no Vale, voltei a pensar o que me faz estar aqui, ou acolá.
O senhor que vende passagens veio perguntar se eu tinha 22 anos. Quase isso, respondi. Ele falou que era a mesma idade de sua filha. A conversa já começou assim, e seguiu com a história dela, que nem sequer sei o nome, mas já deu vontade de saber.
Aos 21, trabalhando na Fundação Getúlio Vargas, parecia que o sonho estava se realizando. Casada há 08 meses, no dia 28 de dezembro foi finalmente efetivada. A jovem era recém-formada em publicidade e propaganda e, convenhamos, trabalhava em um dos empregos dos sonhos de qualquer um.
O sonho acabou 5 dias depois da efetivação, quando o primeiro derrame afetou seu cerebro e a impediu de continuar suas funções. Seis anos já passaram e só agora ela recomeça a sonhar. Poucos movimentos ainda a impedem de trabalhar outra vez. Dependente dos pais, não tem como sair da cidade para assumir outros empregos que já lhe ofereceram.
O pai, dedicado e atencioso, ainda sofre com a mulher com um tumor, que enfrenta há 09 anos. O homem da casa faz bolsas de crochê e dá os botões para a filha costurar. Os botões são a única coisa que ela faz, mas significam tanto para os dois que todo o dinheiro ganho com o artesanato vai para a filha.
“Já construi uma casinha para ela, atrás da minha. Assim ela tem o canto dela e eu estou sempre por perto para ajudar”.
O marido dela abandonou a jovem assim que ela sofreu o derrame. Os amigos voltam a aparecer agora, quando ela já começa a recuperação, trabalho que ele agradece a um patobranquense psiquiatra, e por isso todo o começo de conversa.
“Sai desse computador menina. Chega de trabalhar. É hora de descansar!”, disse ele quando me viu ligando o computador no meio da rodoviária. Expliquei que estava terminando um trabalho que não podia deixar para amanhã, e ele, com lágrimas nos olhos me contou a triste história. Disse que a filha era como eu, que na busca de ser feliz no emprego, era vidrada no que fazia, e acabava deixando a vida pessoal para viver pelo trabalho. “Acho que o trabalho ajudou ela a ficar doente. Ah se eu voltasse no tempo, teria pedido mais para ela relaxar”.
Em busca pela felicidade tento encontrar meu caminho. Confesso que ainda não achei, que ainda procuro e continuo até chegar ao ponto final, mas essa conversa, em rodoviária diante de um dia que até então estava cheio e bagunçado me fez parar. Parar para fazer o que me faz feliz, que é desabafar em uma folha em branca de papel, que é rir com algumas lembranças e o principal, em sonhar em como ainda posso ser feliz.
Esqueci o trabalho e as preocupações por 10 minutos, e confesso outra vez, que feliz que fiquei. Deixa o mundo agir como tem que ser, que um dia ele se ajeita para mim e me traz de volta o paraíso que sempre sonhei. Enquanto isso não chega, vem sorriso, vem pra perto de mim que eu preciso de você para ser feliz!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

em casa

Quando embarquei outra vez no ônibus que por quatro anos foi o berço de lágrimas e sorrisos, jamais imaginei que aquele princesa voltaria a me entregar ao passado tão gostoso de lembrar.
Quando embarquei talvez tenha passado muita coisa na minha cabeça, a paisagem era outra, completamente diferente, mas a sensação, ah, a velha sensação de bater mais forte o coração ainda continuava igual.
Quando cheguei, meu coração se enxeu de luz, de alegria, de vivacidade que desde que sai do meu paraíso gelado, não sentia.Foi como se eu estivesse outra vez 'em casa'. É sim, foi essa a sensação, o sentimento de estar no meu velho lar. Acho q não sentirei a mesma coisa ao desembarcar na cidade que tem cheiro de chocolate, mas senti fortemente naquela que tem gosto de saudade.
Em casa. Foi como voltar para casa. É sempre como estar de volta ao lugar que me fez quem eu sou, que me deu o que tenho e que sorte ou não, ainda posso voltar, e voltar, e voltar.
As vezes tenho vontade de voltar para sempre. As vezes, essa vontade se intensifica muito fortemente, daquelas que tenho vontade de sair correndo, esbravejar na frente do ônibus e só parar lá, na calmaria do meu doce lar.
Me da um aperto, daqueles de enxer os olhos d'água quando lembro de tudo, quando alguém me chama para voltar, quando a vontade supera a felicidade do agora.
O medo ainda não me fez largar o mundo e parar, e pensar e reativar velhos planos. É dificl entender porque a paz que aquele vento que corta traz ao meu coração. É complicado entender porque só de estar lá fica tudo bem, é estranho, afinal, querer voltar.
Arrepio o braço no desejo. Arrepio o coração de tantas lembranças boas que tenho desse lugar que todo mundo reclaama, e eu, longe dele, só tenho motivos para elogiar. Um final de semana como esse, talvez me reanime a pensar diferente, talvez me de forças para continuar lutando pelos meus sonhos, que construi, justamente em casa.
Meu pedaço do céu fica tão longe do meu atual paraíso que se fossem cidades vizinhas eu ia finalmente sorrir. e sorrir pra valer.

ao som de TM...."volto atrás se você voltar assim como eu".

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Chuvim


Se o senhor que fica parado no ponto de ônibus que passo todo dia fosse escrever uma crônica sobre minhas passagens diárias por ali, certamente a de hoje ganharia destaque. Enquanto ele estava sentadim, protegido da forte chuva que caia no doce Vale que me abriga, observava os pingos caindo, debruçado no velho 'paieiro' que deixa um cheiro forte por toda a quadra, eu passava em disparada. Mas a história toda começou há umas quatro quadras dali, quando a chuva começara a cair e eu, sem guarda-chuvas, só senti as gotas finas molharem meu cabelo. a sensação não estava boa, confesso, aquilo estava me deixando com frio e com muita vontade de chorar, talvez de raiva, ou de cansaço, quem sabe ainda de medo dos próximos passos.

Segui ao som de buzinhas que riam da 'menina' sendo aos poucos molhada por inteiro. Quando cheguei perto do ponto, então, resolvi correr, correr como há muito tempo não corria, em disparada, como fazia quando criança. Sorri, e sorri sem parar. Corri até a garganta secar de cansaço, e foi quando comecei a andar e ao olhar para o céu, com os pingos mais fortes caindo, abri a boca, estiquei a lingua e voltei a sentir o sabor da chuva, e ai então, cai na gargalhada. Foi como reviver uma infância que me fazia muito bem...Como se fosse obra divina, os pingos caiam mais forte, e já estavam se transformando em pequenas pedras, a gargalhada saiu alta na rua que não passava ninguém, exceto os carros. Tirei os sapatos, e corri ainda mais, com a boca voltada ao céu, o coração liberando uma sensação maravilhosa de liberdade e um riso que, sinceramente, fazia tempo que não saía.Enxarcada, ainda consegui pular em algumas poças d'água antes de chegar em casa. Rindo, sem parar, fui para o chuveiro, e aquela água quente então encheu meu coração de saudade. Continuei a cantarolar besteirolas, sonhar velhos desejos, e agora estou cá, de alma lavada, coraçao leve e sensação de que tudo de ruim ficou ali fora, junto com as outras gotas que rolaram pelo asfalto"

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Apaixonar-se

Uma conversa de almoço, em lugar cheio, que mal se escuta o que o vizinho comenta, dessa vez me deixou pensativa o resto do dia, e agora, noite também. Afinal, apaixonar-se é bom ou ruim?
Na conversa, determinamos que é maravilhoso, até a decepção chegar e as coisas só melhorarem com uma nova paixão.
Na conversa também determinamos que paixão não é amor, e que mesmo assim, a sensação de se estar completamente embobadamente apaixonado é muitas vezes, melhor que amor.
Concluimos, em doze minutos, que paixão aquece o coração e que ninguém vive sem estar apaixonado, seja por fulano ou ciclano, seja por comida ou vida profissional.
Concluimos que sou apaixonada, vivo apaixonada, morro apaixonada por novas paixões. Fechei os olhos, imaginei,idealizei,sonhei. Abri os mesmo, vi uma explicação, vi uma acor azul que eu queria mais, e deu uma saudade na ponta da língua que chegou ao estomago e arrepiou o coração, que disparado sorriu, depois de muito tempo.
E que assim seja, paixão. Se fores boa, fique, se fores ruim, vá embora, e volte só quaando for para ser melhor, e melhor, e melhor.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Maluquices. Idiotices.

Era um dia de sol. E porque não mais um dia de sol. Era um dia de sol como tantos outros já foram. Talvez, se o sol não estivesse ali, não teria sido tão bonito, tão cheio de cor. Quando a lua ganhou seu lugar fez nascer um sorriso ainda maior, que cheio de charme lembrou algo do passado, que mesmo de longe, ainda fazia o coração brilhar mais forte. Aquela lua que escondida brotou e arrepiou lado direito e depois esquerdo, que no piscar de olhos achou outro motivo para sorrir.

Depois de vários sonhos sonhados rolados em uma cama que já não lembra mais nomes ou sobrenomes, depois de chorar lágrimas de saudade, de desespero, de alguma coisa a mais que um sorriso, talvez esse novo sol, que nasce todos os dias, e logo em seguida traz a lua, traga a esse coração cheio rabiscos, uma nova música, que mude de tom, mas não de nota, que vire uma nota a mais, talvez par, talvez ímpar.

Se por um acaso, a lua de todas as quartas-feiras trouxer a paz de espírito que quis ter nas outras, talvez tudo volte ao seu lugar. Talvez o sorriso manhoso, de olhos fechados, de pequenos ladrilhos que fazem o caminho diário, encontre um novo querer. Talvez. Talvez sim, talvez não. Talvez quem sabe, porque não. Talvez ele já tenha encontrado e tudo isso volte ao passado, volte ao recomeço, volte ao primeiro encontro, ao primeiro olhar, ao primeiro não que levou ao primeiro sim. E talvez, porque não, ao primeiro sorriso verdadeiro.

E a lua e o sol, juntos, poderiam, por um acaso, ficar juntos em dois segundos de eclipse, que durante um dia de sol, ou de luar, completem alma e coração como um completo que durou um ano e agora, apesar dos sonhos morrerem entre os dedos, proporcionam a felicidade de poucos instantes, seja na casa da lua ou do sol. Talvez quem sabe, talvez um dia, talvez no sol ou na lua.

domingo, 29 de agosto de 2010

é estranho, afinal.
é diferente, então.
e o que era pra sempre foi-se embora como qualquer outra coisa, nesse vai e vem de tantas outras.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Lucas


Lucas Raduenz, seis anos, acorda todos os dias de manhã cedinho, veste o uniforme e na carona no carro com a mãe, vai até a escola. Como todo aluno, prefere muito mais a diversão de brincar com bolas que as aulas teóricas. Ao meio dia retorna para casa, e segue com atividades complementares todas as tardes, desenvolvendo suas habilidades motoras, intelectuais e sociológicas.

Kate Regina Bruch Raduenz se reveza entre cuidar da casa e do pequeno filho. De manhã o leva para a escola, à tarde para as atividades ocupacionais. Sempre sorridente, é admirada pela maioria das outras mães sempre que chega ao colégio, afinal, há tantos motivos assim, na vida de qualquer pessoa, para sorrir? Segundo Kate, sim. E são vários.

Quando Lucas nasceu, há seis anos, veio de uma gravidez altamente planejada. “Desejávamos muito a criança. O primeiro presente que o pai dele deu, foi um sapatinho do Flamengo, já imaginando os primeiros chutes, lá pelos dois anos”.

Bom, aos quatro meses, a notícia que mudaria tudo então chegou. Lucas teria algum tipo de limitação, que seria descoberta quase um ano depois, quando o mesmo já tinha um ano e alguns meses. A Síndrome de Arnold Chiari (tipo 01) só apareceu depois de uma tomografia computadorizada, mas nada que impedisse o menino de ter uma vida como a dos demais da mesma idade que ele.

“Sabemos das limitações, mas desde pequeno ele é acompanhado por profissionais que estimulam o desenvolvimento dele”. Hoje, como todas as crianças consideradas ‘normais’, Lucas frequenta uma escola regular da cidade, à tarde, no contra turno, diferente dos que jogam bola, fazem aulas de inglês ou outras atividades, ele vai a APAE de Pomerode receber atenção mais especial do que a recebida na escola, através de profissionais qualificados, prontos para atender todas as necessidades do garoto.

Sem lágrimas ou lamentações, Kate admira cada pequena vitória de Lucas, “desde o primeiro passo que ele deu, no dia 16 de janeiro, até o dia em que ele conseguir falar, são os pequenos gestos que lá em casa comemoramos muito. Na escada, por exemplo, eu fico em baixo e o pai do Lucas em cima, estimulando para que cada degrau que ele suba, seja uma conquista, assim como vai ser na vida dele”.

A primeira bola que Lucas chutou com o pai não foi aos dois anos, como o desejado. Mas, assim como todas as crianças como ele, que têm limitações visíveis aos olhos, (muitas vezes pré-conceituosos) demorem um pouco mais para realizarem velhos sonhos. O pequeno já bate bola com o pai, e bate bola desde seus quatro anos. “Quer ver o Lucas feliz é dar uma bola para ele, e não importa se são baratas ou caras. O que importa na verdade é a bola, não a marca, não o valor do presente”.

O sorriso no olhar de Lucas foi visível no momento em que encontrou a mãe na sala em que a conversa acontecia. Foi como se enfim, encontrasse novamente seu porto. “Ele adora vim para cá, fica ansioso. Mas quando vê o carro na hora em que venho para busca-lo, ele já vem comigo. Se tenho que acertar alguma coisa na secretaria, já peço para as professoras não deixarem ele me ver, porque se me enxerga, já quer vim comigo”. Kate também contou que quando chega à sua casa, a espera continua dessa vez pelo pai. “Quando escuta o barulho do carro, já olha e solta: ‘papai’, é emocionante!”.

Talvez nos primeiros dias, após a descoberta da síndrome a mãe pensasse como seria se Lucas fosse uma criança sem limitações. “Há cinco anos, sim, hoje não. Ele me trás muito mais felicidade do que talvez uma criança normal me trouxesse. Para nós, tudo é motivo de comemoração. Um sorriso, um abraço, um carinho dele é motivo de festa na família. Teríamos condições de dar tudo a uma criança normal, mas temos condições de dar a uma especial como é o Lucas, e pode ser que ele tenha chegado em nossas vidas para mudar a nossa. Sempre me perguntava o ‘porquê’, hoje, a pergunta que gosto de pensar é ‘pra que’, e as respostas são muitas, guardadas comigo ou contadas por aí”.

Ser feliz para deixar Lucas feliz é a regra da casa. Guardar muitas tristezas, até na hora da doença ou dificuldades diárias esconder o mau humor e revertê-lo com um sorriso de boca a boca é a solução que muitos deveriam adotar para a rotina.

“As mães me perguntam como consigo ser sempre tão feliz com ele. Algumas até falam: ‘você sempre está sorrindo quando vem com o Luquinhas nos braços’. Diferente delas, eu vibro com todas as conquistas dele, não apenas com o dez no boletim, eu aprendi a comemorar quando ele bate palmas, quando da um passo. Não preciso presentear ele com brinquedos de R$500 reais para mostrar o quanto gosto dele, e tento passar isso para elas”.

A vida deles não é como a de todos, tem limitações, mas nos finais de semana, durante os momentos de lazer, Lucas joga bola, sai passear, sobe até em árvore “coloco ele nos meus braços e subimos junto na jabuticabeira”.

O sonho do pai de bater bola com o filhão, também não saiu de cena. Lucas é completamente apaixonado por isso e a realização de um pai, ao torcer com o filho vendo um jogo de futebol, do time que passou de geração para geração, é igual em qualquer família, até na de Lucas. Na escola, o garoto tem aulas de alemão, robótica, português, como qualquer outra criança. Calmo, não revida brigas, e não suporta a ideia de discussões. Carinhoso, ganha cafuné de todos que estão ao seu redor. Suas limitações podem até ser aparentes, mas o sorriso que sempre estampa seu rosto é impagável, indescritível, inenarrável.

“A neurologista sempre fala: Kate, o que você achar normal? Alguém saber falar, andar, correr. Alguém não saber memorizar verbos, não aprender matemática, ter limitações. Afinal, o que é normal?”. Afinal leitor, o que é normal?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Seu Chico. Dona Maria


História real, embalada com um pequeno ‘dacim’ de fantasia.

As velhas paredes não eram apenas quatro, talvez fossem dez ou onze. De janelas a casa estava cheia, e as duas alas separavam não raças, nem cores, muito menos ideologias, separavam apenas homens de mulheres. Dona Maria, vestido florido, amigas ao redor, sempre sonhara em outro tipo de vestido, o velho rendado, laçado com fita de cetim, trançado com pequenos bordados feitos a mão. O maior sonho foi morrendo no mesmo tempo em que as rugas apareciam com mais frequência. Seu Chico, barba feita, camisa xadrez sempre por dentro da calça social, bem passada, feito homem de boa índole, de bom caráter, de criação familiar decente. Seu Chico, Dona Maria, divididos por uma cortina que lembrava uma velha saia que Maria mesmo costurou na infância. Da janela do quarto, certo dia então Chico resolveu ver a vida passar. A vida passou anos do mesmo ângulo. As roupas não estavam mais passadas nem a gola engomada. Já Maria, depois de viver para os outros, acabou sozinha, passeando pelo quintal, vendo as flores nascerem na primavera e morrerem no outono, diante das primeiras geadas que antecedem o inverno. Da mesma janela, feito criança, ele se apaixonou pela donzela que trafegava de vestido florido, comprido até o pé, passeando no meio do jardim, olhando com sorriso de canto de boca as flores que nasciam ainda timidamente. Ela, de olhar quase sorrindo viu o amor dos sonhos chegar naquele bom dia animado, que demorara mais de um ano para acontecer.
Um ano demorou para que o vestido fitado virasse realidade. E virou em uma festa que alegrou o coração dos vizinhos, que presenciaram juntos, ao pé do altar, o primeiro beijo dos pombinhos loucamente apaixonados, um pelo sorriso, a outra pelo olhar. A festa durou a tarde toda, e no fim da noite, na noite de núpcias, o sonho do primeiro casamento era a calmaria que trouxe a lua cair mais bonita. O sonho era de ambos, o primeiro casamento também.

A verdadeira história é de um casal idoso que se encontrou em um asilo local. Ela e ele, oriundos do sonho do casamento eterno, nunca (até então) chegaram ao altar e abandonados por todos os outros, acabaram na casa separada por alas. Ele não tinha uma perna, vitima de acidente, e esperava na janela porque não podia passear no jardim, a vergonha não deixava. Apaixonados, realizaram o sonho juntos, e ao altar subiram há algum tempo. Sabe-se lá porque, mas essa é uma história que me lembrou uma antiga canção, e que de uma hora para a outra, me fez refletir sobre o amor, e sobre o poder dele na nossa vida. Quem dera eu encontre um Chico pra mim, e que ele seja tão eterno quanto as lembranças dele no meu coração.

“Eu encontrei, quando não quis, mais procurar, o meu amor.... E até quem me vê, lendo o jornal, ou , na fila do pão, sabe que eu te encontrei e ninguém dirá QUE É TARDE DEMAIS”. (Último Romance- Los Hermanos)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"Plágio"

Li essa crônica hoje cedo, e simplismente adorei!
Créditos para Maurício Amaral, autor do texto...

Zero Hora convidou os integrantes do programa Pretinho Básico, da Rede Atlântida, para contar qual a imagem que eles têm do frio. Pode ser uma lembrança de infância, um filme, um livro, um período de férias. Até o próximo domingo, durante a última semana de férias de inverno, eles vão esquentar este espaço com suas impressões. O terceiro da série é o Maurício Amaral: Eo frio hein?! – Amor, a nossa relação esfriou! – Bah, o cara só me mete em fria. – Essa notas são frias, não valem nada. – Paulinho, come logo antes que a comida esfrie! – Não vai lá que é fria. – Sei lá, ela me tratou de um jeito frio… – O assassino era frio e calculista. Inconscientemente somos levados a crer que frio significa coisas negativas. Até as temperaturas no inverno são negativas. (dããã) Ok, vou procurar evitar as piadinhas infâmes aqui em Zero Hora… Mas o frio pode ser bom. O brabo é provar isso. Somos dois ou três Estados atingidos por frio de verdade, contra toda uma nação tropical que nunca ouviu falar em luva, touca e cachecol! Frio é ausência de calor. Mas peraí, o calor não pode ser a ausência de frio? Não, diriam os físicos. Inclusive para a Física, o frio não existe! Não existe uma definição de frio, assim como existe uma definição para calor. O frio é uma sensação. Viu só, o frio é psicológico! Por falar em sensação, tô começando a me irritar com esse papo de sensação térmica. Agora é moda falar que a temperatura é de 13 graus, mas a sensação térmica é de menos 40! Ora, por favor, se é uma sensação, não pode ser generalizada. Cada um sente de uma maneira. Em um casal por exemplo, sempre tem aquele que sente mais frio, que dorme de calça, meia, blusa, casaco, luva e touca, e o homem, que no máximo bota uma camiseta pra dormir, de preferência aquela das eleições de 1982, muito confortável. A sensação térmica é uma percepção e, sendo uma percepção, ela possui diferentes considerações. Um baiano vai ter uma maior sensação de frio nos dois ou três dias que ele passa em Gramado do que o gaúcho que já está acostumado com o frio a Serra! Então, por favor amigos da previsão do tempo, facilitem as nossas vidas e nos passem apenas a temperatura que o termômetro mostra. Se tá 13 graus, digam município tal, temperatura 13 graus neste momento, e deixe que cada um tenha a sua sensação térmica. Sensação térmica é que nem…, que nem…, que nem…, que nem buuuuuchecha, cada um tem a sua. Inverno é bom pra se vestir bem, caprichar naquele casacão de lã, comprado em 10 vezes no carnê, que só vai terminar de pagar em fevereiro do ano que vem, quando os termômetros vão estar na casa dos 40 graus e o casaco vai estar lá no fundo do armário pegando aquele cheirinho bom… Bom para sair em dia de chuva e parecer um lutador de esgrima com o guarda-chuva tentando não se molhar por causa da chuva que vem em 300 direções por causa do vento! Sem contar os sem-noção que insistem em dar com a ponta do guarda-chuva bem na tua testa… Inverno é bom pra queimar a língua com aquele chocolate quente que a gente toma num gole só. Ou quase vomitar com aquele café frio que a térmica insiste em não conservar quente… É bom para estreitar amizade com os atendentes de farmácia. Sim, já que você vai dar uma passadinha lá, dia sim, dia não, para comprar medicamentos contra gripes, resfriados… Inverno é bom sim, deixa de ser ranzinza! mauricio.amaral@rbsradio.com.br MAURÍCIO AMARAL

domingo, 25 de julho de 2010

Desentoando

Cadê o brilho no seu olhar.
Eu vi ontem cedo.

Era ainda tarde quando tocou outra vez.
Foi longe demais aquele beijo.

Deu uma trégua pra saudade.
Conturbações fazem mal ao pensamento.

Tirou o que restava.
Caiu aos prantos.

Tive a impressão de estar certo.
Conteve seu sorriso mais perverso.

Lamentou a saudade.
Viu a sobra do que não tinha partir antes mesmo da chegada.

Conteve seu olhar.
Acho que vi seu desespero.

Permita-me entrar na conversa.
Saiu sem dizer meu adeus.

Permita-me sair da conversa.
Entrou sem pedir por favor.


Foram algumas noites mal dormidas... Foi o dia da saudade que me trouxe até aqui... Foi quando cansei disso tudo, trouxe de volta e insisto em coibir a verdade. É fato, estou ficando maluca, sem jeito e com o coração duro. É fato, e se é fato não se discute. Se não se discute, boa sorte pro destino, que ele passe bem longe da pacata vidinha que levo no paraíso escondido perto do mar, longe do peito, amarrado à razão. Sorte do acaso, que sobrou pra ele toda responsabilidade dos meus atos. É fato, e se é fato não se discute...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Um dia em alemão

E lá fui eu para a minha primeira matéria tipicamente jornalística de interior. O aniversário de 90 anos de uma velhinha de sorriso simpático, mas que nem no nome facilitou minha vida. “Schwester Anita” como é conhecida, há 90 anos faz parte da história do hospital de Pomerode. Já tinham me contado dela, e a breve apresentação nem chegou perto da homenagem que ela recebeu. Mais de 100 pessoas a parabenizaram em uma ‘simples’ festinha, só para os mais íntimos, nas dependências do hospital, onde a schwester mora até hoje. Estava tudo normal, até o pastor começar a conversar – em alemão – com os presentes. A preparação da surpresa, confesso, não entendi bulhufas. Mas segui em direção a sala onde a aniversariante nem imaginava o que a esperava. No caminho, sem entender nada ainda, ouvi algumas conversas e minha cara devia parecer com algo do estilo: ÃN? Os parabéns foram em alemão. As conversas em alemão. As respostas em alemão. E na hora da entrevista, la vai a menos alemã da cidade mais alemã do país. Entre palavras que me soavam totalmente estranho, entendi algumas linhas da senhora que já mistura os dois idiomas, porque aqui, aqui pode. A matéria no fim deu certo, a lição, diga sempre algo como IÁ ao fim da conversa ou da ligação. Se quiser ser entendida, já chegue ao local falando: eu não falo alemão. Eu pareço um estrangeiro dentro do país, mas isso me agrada, é divertido aprender, é engraçado não entender. Indo para casa, um frentista mencionou algo em alemão. Ainda estou na dúvida se foi uma cantada ou uma birra comigo, mas um dia eu aprendo... e um dia eu me desapaixono por esse lugar, que tem cara de casa de boneca, cheiro de liberdade e um gostinho de ‘quero ainda mais’

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domingo, 13 de junho de 2010

Planejamento estratégico

Fui acostumada assim. Antes de deitar eu já sei que roupa vou usar na manhã seguinte. A culpa do meu estilo diário nasce no humor da noite anterior. Com o resto da vida, segue o cardápio, ou pelo menos, tenta-se. O planejamento diário só não faz parte da essência da personalidade 'a la Renatinha':"relaxa, tudo vai dar certo", de resto, tudo passa por uma estratégia cuidadosamente elaborada durante os picos de autismo que tenho. Exemplo? É assim, falou comigo e eu não respondi, espere 8 segundos, o pico autista irá sucumbir e eu irei olhar para você e falar: ãn? Não entendi! Durante os 8 segundos, pode apostar, planejei as próximas 8 horas, quem sabe 8 dias, quem sabe 8 meses ou anos. Acordar, tomar banho, pensar 8 segundos no café da manhã, me arrumar, tomar o café da manhã que, durate 8 segundos de silêncio estarei pensando no almoço, farei qualquer coisa nas 4 horas que seguem, normalmente planejadas na noite aterior... Almoço e os 8 segundos utilizo para imaginar a janta, e após a janta e seus 8 segundos, vou pensar no resto do dia seguinte. Não é loucura, é questão de planejamento. Acordo com algumas ideias brilhantes, acordo com ideias frustradas e cheias de idiotices. O dia e seus vários 8 segundos servem para que eu junte todas elas e tente montar meu plano de vida. Estratégia altamente calculada e que de vez em quando não funcionam. [Pensei 16 segundos para admitir isso] Minha estratégia inicial de vida começou lá pelos 13, passou pelos 15 e quando chegou aos 16 mudou completamente. Depois, aos 17 eu estrategicamente bolei um plano ( o melhor até hoje), mas desisti dele no meio do caminho, aos 21, quase desesperada, montei uma estratégia irrecusável, e o acaso/destino destruiram o plano perfeito. Na falta de um plano B, perdi o rumo, o planejamento e algo mais. Apelei pra santo, mandinga, reza braba e até promessa. Hoje apelei pela última vez. Se dessa vez não funcionar, vou começar o planejamento do começo, como se faz em uma grande empresa, terminam os problemas, começam as soluções. E se não funcionar outra vez, terei mais uns dias de débito em conta corrente, valorizando o prejuízo final. Boa sorte pras 15 novas páginas escritas em mais de 8 segundos, mas somadas de vários oitos dessa semana.

"Hey moon, please forget to fall down.
Hey moon, don't you go down.
You are at the top of my lungs.
Drawn to the ones who never yawn"